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HIGHLIGHTS DE CONSTIPAÇÃO DO CONGRESSO DA ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA

HIGHLIGHTS DE CONSTIPAÇÃO DO CONGRESSO DA ACADEMIA AMERICANA DE PEDIATRIA

Nesta separata faremos um resumo da aula “No Ifs, Ands, or Butts: Tackling Constipation and Encopresis” (Sem “se” "mas" ou "porém": Combatendo a constipação e a encoprese), ministrada pelo Prof. Patrick T Reeves, MD, FAAP, DABOM, Associate Professor of Pediatrics Wild Child Medicine PLLC&Long School of Medicine, no congresso da Academia Americana de Pediatria em 2025.  Para maior entendimento, alguns tópicos serão detalhados e acrescidos da literatura científica, bem como o leitor será avisado sobre abordagens ainda não disponíveis no Brasil. 

Constipação é o motivo de 25% dos atendimentos em Gastroenterologia Pediátrica,1, considerando que 40% das crianças apresentam falha à terapia padrão e apresentam sintomas crônicos (Sondheimer) 2.  A maioria dos casos de constipação é de origem funcional, cuja idade de apresentação pode ocorrer em qualquer faixa etária, desde o lactente até o adolescente 3.

Dado alarmante é que nas crianças maiores, cerca de 75% dos casos com constipação crônica apresentam incontinência fecal,2.  A retenção de fezes acarreta incontinência fecal, que é o transbordamento de parcela de conteúdo fecal amolecido, que vaza pelos bordos das fezes duras retidas, sendo muitas vezes confundido pelos familiares como diarreia1.  A incontinência fecal por retenção é um problema devastador na criança com constipação, pois acarreta prejuízo na sua qualidade de vida.

A etiologia da constipação funcional é multifatorial com atuação de fatores biopsicossociais. Na fisiopatologia das desordens gastrointestinais funcionais, atualmente denominadas de desordens do eixo cérebro-intestino,  há participação de eventos biológicos como predisposição genética, eventos médicos sensibilizantes (distensão, inflamação e desordem de motilidade), eventos no início da vida que acarretam mudanças no processamento da dor e hipersensibilidade visceral, e também eventos psicossociais como depressão, ansiedade, estilo de enfrentamento, ganhos secundários, abuso sexual, estresse pessoal e familiar4 .

Deve ser ressaltado que todas as doenças gastrointestinais funcionais, atualmente denominadas de desordens da interação cérebro-intestino devem ser caracterizadas mediante os critérios de Roma. Na aula, o Dr. Patrick Reeves apresentou os critérios de Roma IV para constipação funcional, que são divididos segundo a faixa etária (menores e maiores de 4 anos).

Porém, como recentemente foram publicados os novos critérios de Roma V, descreverei abaixo o critério de Roma V para constipação funcional em crianças 5(Roma).

 

 

Diagnóstico de Constipação Intestinal Funcional segundo os Critérios de Roma V a

  1. Deve incluir pelo menos 2 dos seguintes critérios ocorrendo no último mês:
  1. Duas ou menos evacuações por semana em média;
  2. Pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana em médiab;
  3. História de postura retentiva, esforço excessivo ou retenção fecal inapropriada;
  4. História de evacuações dolorosas ou endurecidasc;
  5. Presença de massa fecal grande no reto;
  6. História de eliminação de fezes de grande calibre;
  1. Após avaliação apropriada, os sintomas não podem ser totalmente explicados por outra condição médica.
  2. Não deve preencher os critérios para síndrome do intestino irritável.
  3. Critérios preenchidos por pelo menos 1 mês antes do diagnóstico.
  4. b. Este critério se aplica apenas para pacientes que já adquiriram controle esfincteriano.
  5. c. Escala de Bristol tipo 1 ou 2 OU Escala de Bruxelas tipo 1, 2 ou 3 para lactentes.

O novo critério de Roma V incluiu os tipos de fezes 1 e 2 da Escala de Bristol convencional 6, e os tipos 1,2 ou 3 da Escala de Bruxelas para lactentes7.   Essas escalas contribuem para caracterização mais precisa de fezes endurecidas.

Na aula do Dr. Patrick Reeves ele abordou também a Escala de Bristol que foi validada nos Estados Unidos para crianças de seis a oito anos, que reduziu o número de tipos de fezes de sete para cinco 8. Esta escada foi traduzida e adaptada para o Brasil 9(figura 3).

Fig. 1. Escala de Bristol 

Fonte: dos Santos et al, 2017 10 

Fig.2. Escala de Bruxelas para lactentes 

Fonte: Huysentruyt et al, 20197

Figura 3. Escala de Bristol para crianças em português (Brasil) 9.

Fonte:  figura adaptada de Josala et al, 20199.

Diagnóstico da constipação

O diagnóstico de crianças com constipação deve ser baseado em história clínica e exame físico completos, com atenção para sinais de alarme11. Nas crianças com constipação intestinal funcional, a incontinência fecal é um sintoma esperado, massa abdominal palpável no quadrante inferior esquerdo e toque retal com presença de fezes na ampola retal são achados esperados no exame físico. Por outro lado, história de atraso da eliminação de mecônio (mais que 48 horas), constipação no primeiro mês após nascimento e massa abdominal palpável com ausência de fezes na ampola retal, ou fezes explosivas ao toque, são sinais de alarme para doença de Hirschsprung. Posição anormal do ânus pode indicar anomalia anorretal. Alterações na região lombo-sacra como presença de fossetas, tufos de cabelos, podem indicar disrafismo oculto, assim como ausência do reflexo cutâneo-anal ou do reflexo cremastérico. Se houver sinais de alarme, o pediatra deve realizar o encaminhamento para especialista.  

Os exames de imagem podem ser úteis somente em crianças com sinais de alarme,11.  A radiografia de abdome não é necessária para diagnóstico de constipação, pois apresenta baixa sensibilidade para este diagnnóstico12.  A NASPGHAN/ESPGHAN (2014)11 não recomendam o enema opaco na triagem inicial de constipação intestinal, mas considera útil no planejamento cirúrgico da área a ser ressecada na doença de Hirschsprung e na identificação de anormalidades anatômicas associadas à constipação. O enema opaco pode ser usado na triagem de doença de Hirschsprung em crianças com constipação refratária, porém seu valor preditivo é baixo e a biópsia retal é padrão ouro no diagnóstico de doença de Hirschsprung.  Os achados do enema opaco na doença de Hirchsprung incluem presença de zona de transição e inversão da proporção do retosigmóide (sigmóide mais dilatado que o reto)13. A presença de contraste na radiografia de 24 horas não é mais considerada sinal radiológico de doença de Hirschsprung.  Na constipação funcional o enema opaco mostra aumento do calibre do reto e sigmóide, sem estreitamento13. A manometria anorretal deve ser solicitada por gastroenterologista pediátrico mediante suspeita de doença de Hirschsprung e/ou constipação refratária14.  Seu principal objetivo é pesquisar o reflexo inibitório reto-anal, presente em crianças normais e ausente nas crianças com doença de Hirschsprung (DH). A confirmação diagnóstica de DH deve ser feita mediante pesquisa de células ganglionares na biópsia retal profunda.  Na constipação funcional refratária, a manometria pode contribuir na pesquisa de outros parâmetros, como a pesquisa de dissinergia do assoalho pélvico (contração paradoxal/anismo)15.  A manometria colônica avalia as contrações colônicas e é realizado em outros países para casos isolados de constipação refratária a todas as intervenções médicas, quando uma cirurgia é considerada (exemplo: ostomia para lavagem anterógrada)15,16.

Tratamento da constipação intestinal funcional  

Orientações gerais

A família e crianças maiores que apresentam incontinência fecal por retenção devem receber explicação sobre o círculo vicioso da retenção de fezes e o mecanismo que gera a incontinência fecal. Devem ser orientados que o tratamento tem as etapas de desimpactação fecal (se houver impactação) e a de manutenção mediante uso de laxativos, associados a medidas comportamentais e dietéticas, e que a meta é a eliminação de fezes macias 1 a 2 vezes ao dia. Nos casos de constipação de longa data, com ocorrência da incontinência fecal por retenção, é importante explicar que não há solução rápida ou mágica, pois a retenção crônica de fezes acarreta o mega reto que e que para retornar ao tamanho normal é necessário manter hábito intestinal regular mediante do uso de laxativos durante meses e até anos.

Orientações dietéticas

Devem ser avaliados os consumos de água e fibras na dieta de acordo com a faixa etária do paciente e erros alimentares devem ser corrigidos. As fibras da dieta, especialmente as oriundas de frutas e vegetais são preferíveis aos suplementos de fibras. Deve ser orientado que as fibras podem acarretar efeito paradoxal se não houver ingestão de água suficiente. A recomendação de ingestão de água/líquidos está ilustrada na figura 1.

Figura1. Recomendação diária de água/líquidos (em copos de 240mL) de acordo com a faixa etária. 

*8-ounce glasses= copo de 240mL.

Adaptado de: Link: https://www.aquasanaeurope.com/recommended-water-intake/?srsltid=AfmBOoqz0xMwRAuAlWpytkyfKbsnJoxBu_MjkDdr-uY1sQJGVAJcdyEJ

Suplementos de fibra

A NASPGHAN/ESPGHAN (2014), com base nas evidências científicas, não recomendam o uso de suplementos de fibras no tratamento da constipação11. O Prof. Patrick Reeves refere que suplementos podem ser eventualmente utilizados durante a redução gradual da medicação e para prevenir recaídas. Ele refere que a dose de suplementos de fibras deve ser baseada na necessidade diária de fibras na criança, que é expressa na fórmula: idade (em anos) + 5 gramas por dia= total de fibras diária17.

Orientações de toalete (uso do banheiro e postura para defecar)

Dispositivo de Modificação da Postura de Defecação (DPMD)=banquinho para assento dos pés.  É fundamental orientar sobre a postura correta de defecação. A colocação de um banquinho para apoio dos pés melhora muito a postura de defecação, pois eleva os joelhos e ajusta o ângulo entre as coxas e abdome (passa de 90oC para 35oC), se aproximando da posição de cócoras, que é a mais fisiológica para evacuar.  Estudo recente realizado pelo Prof. Patrick T Reeves et al. (2025)18 mostrou que crianças constipadas que usaram o banquinho (DPMD) apresentaram redução na frequência de incontinência fecal em relação às crianças que não usaram o dispositivo. A figura 2 mostra duas posturas para evacuação: incorreta e correta. Na postura incorreta a pessoa está sentada com pés apoiados no chão e ângulo entre as coxas e abdome de 90oC. Nesta posição, o músculo pubo-retal permanece contraído dificultando a saída das fezes. Na postura correta há uso do banquinho para apoio dos pés. A pessoa está agachada, com pés apoiados no banquinho e ângulo entre as coxas e abdome de 35oC. Nesta posição, o músculo pubo-retal relaxa favorecendo a eliminação das fezes.  

Figura 2. Postura para defecação: incorreta e correta.  

Figura modificada, adaptado de: Fonte (internet): https://share.google/qRrbwThHVn5YwWORF

Orientar o paciente a ir ao banheiro para tentar evacuar após as refeições, aproveitando o reflexo gastro-cólico, com tempo de permanência durante 5 a 10 minutos.  Avaliar se o paciente apresenta barreiras para frequentar banheiros fora de casa: ex. sofrer bullying no banheiro da escola, limpeza de banheiros públicos etc.  Quando há questões em frequentar o banheiro da escola é importante envolver a equipe escolar no processo de tratamento, por exemplo, em alguns casos, a escola pode providenciar um banheiro privativo. 

 

 

Tratamento farmacológico

Polietilenoglicol- PEG: revisão da Cochrane sobre uso de laxativos osmótico e estimulantes no manejo da constipação em crianças defende o Polietilenoglicol (PEG) devido a sua eficácia elevada e efeitos colaterais gastrointestinais leves19. É um laxante que pode ser usado desde bebês até idosos. A absorção é mínima e efeitos sistêmicos são improváveis. Sobre especulações sobre impurezas do glicol, estudo mostrou que a administração de PEG 3350 não se associou a elevação sustentada dos níveis de glicol em relação aos controles e a elevação foi muito abaixo dos níveis tóxicos, o que mostra que é um laxativo seguro (Willians, 2017)20. Alegações que o PEG poderia causar alterações neurocomportamentais/transtorno do espectro autista não foram provadas, inclusive o FDA avaliou e verificou não haver qualquer ligação. O site da Academia Americana de Pediatria para famílias (HealthyChildren.org) deixa claro que o PEG 3350 não causa autismo, que é seguro para bebês/crianças e não aumenta os níveis de glicol no corpo.

Vale ressaltar que segundo a diretriz da NASPGHAN/ESPGHAN (2014)11, o PEG com ou sem eletrólitos é recomendado como primeira linha no tratamento de manutenção de crianças constipadas. A dose inicial de 0,4g/kg/dia é recomendada e deve ser ajustada de acordo com a resposta clínica. Estudos também mostram que o PEG é superior ao placebo, lactulose e leite de magnésia no tratamento da constipação em crianças19 e que não há diferenças entre a frequência de defecação entre o PEG e enemas retais21.  Para desimpactação fecal, o guia da NASPGHAN/ESPGHAN (2014) indica o PEG na dose de 1-1,5g/kg/dia durante 3 a 6 dias. Refere que o uso de enemas para lavagens retais durante 3 a 6 dias só está indicado se o PEG não estiver disponível11.  No presente ano foi publicado o guia clínico da Associação Americana de Gastroenterologia (AGA) juntamente com Sociedade Norte Americana de Gastroenterologia e Hepatologia Pediátrica (NASPGHAN), o qual endossa que o PEG é o laxativo mais estudado e o mais eficaz dentre os laxativos osmóticos comparado com placebo ou outras medicações, incluindo lactulose. Além disso, PEG pode ser dissolvido em líquido como água e suco e raramente causa efeitos adversos como diarreia. Por essas características o PEG é considerado terapia de primeira linha no tratamento da constipação funcional em crianças 22(Nasphan, 2025).  

Quando o PEG não é suficiente, os laxativos estimulantes podem ser utilizados, com base em revisões e diretrizes mais recentes que colocam os estimulantes como terapia de segunda linha/complementar aos osmóticos para constipação funcional14.   Os laxativos estimulantes  (Bisacodil e Senna) aumentam as contrações colônicas e o conteúdo de água nas fezes 22(Nasphan, 2025).

Bisacodil: estudo em centro terciário com grande coorte de casos refratários (n=164) mostrou que o uso regular do Bisacodil dobrou a mediana de evacuações/semana (2→4), 57%  apresentaram ≥3 evacuações/semana e 55% conseguiram desmamar com sucesso a longo prazo, com baixa frequência de efeitos colaterais (cerca de 9%)23.

Senna: ensaio clínico randomizado cruzado mostrou que em crianças com malformações anorretais o Senna foi superior ao PEG, sendo a cólica efeito adverso mais comum24.   Revisão recente sobre os efeitos colaterais do Senna em crianças verificou que o Senna pode induzir a dermatite perianal (hiperemia e eventualmente bolhas) muito raramente, somente com uso de doses altas e quando há grande período de exposição das fezes com a pele. Também não houve evidência de dependência do Senna. A revisão concluiu que o Senna é seguro e pode ser uma opção no tratamento da constipação em crianças 25.

Irrigação transanal (Transanal irrigation- TAI): deve ser considerada somente após falha da terapia convencional (educação/programa de uso do banheiro + laxantes orais/retais) e antes de opções cirúrgicas (por exemplo, ACE/Malone) em pacientes/famílias adequados. O objetivo é redução significativa da incontinência fecal e constipação em crianças com constipação funcional refratária ou com intestino neurogênico com melhora na qualidade de vida.  A irrigação transanal (irrigação retrógrada) é a administração de grandes volumes de água ou solução salina no reto e cólon mediante catéter com dispositivo de bomba ou cone inserido no ânus para provocar esvaziamento intestinal regular e programado26. É um método efetivo no manejo da incontinência fecal em crianças com intestino neurogênico. No Brasil não temos acesso a dispositivos de bomba de irrigação transanal (ex. Peristeen by Coloplast® e Navina byWellspect®) e o sistema para irrigação de ostomias (cone com bolsa reguladora e termômetro integrado) tem sido utilizado como alternativa e demonstrado que é seguro e eficaz 24. Em nossa experiência, a indicação do procedimento de irrigação transanal deve ser realizada por especialista (Gastroenterologista Pediátrico/Cirurgião Pediátrico e sempre que possível o procedimento deve ser orientado e acompanhado por profissional de enfermagem capacitado).

Laxativos secretagogos (Linaclotida e Lubiprostone): devem ser somente ser prescritos por especialistas-Gastroenterologistas Pediátricos.  O guia da NASPGHAN-2025 indica o uso de laxativo secretagogo como adjunto de altas doses de laxativos estimulantes para tratar constipação refratária, quando houver pouca resposta a dose otimizada e alta de laxativos estimulantes ou quando essas altas doses não são toleradas. A Linaclotida atua nos receptores de guanilato ciclase-C (GC-C) localizados na superfície apical dos enterócitos no intestino delgado.  Aumenta a secreção de fluidos no intestino e acelera o trânsito intestinal. Estudo mostra efeito superior ao placebo com aumento de evacuações espontâneas/semana27. Não temos disponibilidade deste medicamento no Brasil. A Lubiprostona atua nos canais de cloreto ClC-2 nos enterócitos apicais (intestino delgado, cólon).  Aumenta a secreção de fluidos no intestino e acelera o trânsito intestinal. Ensaio controlado recente mostrou superioridade da Lubiprostona em relação aos laxantes convencionais no tratamento de crianças de 8 a 18 anos com constipação. Disponível no Brasil, porém somente para maiores de 18 anos28.

Laxativos procinéticos (Prucaloprida): devem ser prescritos somente por especialistas-Gastroenterologistas Pediátricos. A Prucaloprida atua nos receptores 5-HT4 localizados em neurônios entéricos no intestino delgado e no cólon e estimula a liberação de acetilcolina e outros neurotransmissores excitatórios no plexo mioentérico com aumento da motilidade intestinal. O risco de efeitos colaterais como toxicidade cardíaca é baixo quando comparado à cisaprida e ao tegaserode. O guia da NASPGHAN sobre constipação refratária coloca que a Prucaloprida deve ser considerada como adjunta a altas doses de laxantes estimulantes para tratar constipação refratária, quando a resposta a altas doses de estimulantes é baixa. Porém, estudo com base em evidências atuais refere que a Prucaloprida não pode ser recomendada para uso de rotina em crianças com constipação29. Disponível no Brasil, porém somente para maiores de 18 anos.

Abordagens clínicas

O Prof. Patrick T Reeves também ressaltou sobre a importância de utilizar ferramentas clínicas para capacitar tanto os profissionais de saúde quanto aos pais para cuidarem com sucesso de crianças com doenças crônicas, incluindo a constipação30.  Apresentou o pictograma denominado de “USCAP- Uniformed Services Constipation Action Plan” (Plano de Ação contra a Constipação nos Serviços Uniformizados), que foi desenvolvido e validado pelo seu grupo como ferramenta que tem o objetivo de capacitar pais e crianças para um autogerenciamento domiciliar gradual no manejo da constipação funcional31. Também apresentou outros dois estudos realizados nos EUA que utilizaram ferramentas similares para contribuir no manejo da constipação32,33.  

Tempo de tratamento, como e quando interromper 11

- O tratamento de manutenção deve ser realizado por no mínimo 2 meses;

- Todos os sintomas devem estar resolvidos por no mínimo 1 mês antes de interromper as medicações.  As evacuações devem estar regulares e as fezes macias e sem dor;

- Os medicamentos nunca devem ser suspensos abruptamente, mas mediante diminuição gradual até a retirada (“desmame”);

- Durante o treinamento esfincteriano, as medicações só podem ser interrompidas a se a criança tiver alcançado sucesso no treinamento esfincteriano completo.

Quando encaminhar para um gastroenterologista pediátrico?

- Falha na melhora apesar das intervenções dietéticas e uso de laxativos;

- Pacientes que não conseguem não desmamar dos laxativos;

- Presença de sinais de alarme.

Conclusões

-Use o critério de Roma V para diagnosticar constipação funcional;

-Não há necessidade de exames de imagem para diagnóstico de constipação funcional;

- PEG 3350 é considerado terapia de primeira linha no tratamento da constipação funcional e NÃO causa efeitos adversos no neurodesenvolvimento;

- Não existe uma solução única para todos os pacientes;

- Sempre use um plano de ação; 

- Encaminhe para o gastroenterologista pediátrico pacientes com sinais de alerta, refratários ao tratamento convencional, e quando há necessidade de utilização de laxantivos secretagogos, medicamentos procinéticos ou que necessitam irrigação transanal.

- Considerar encaminhamento para profissional de saúde mental pacientes com questões psicossociais importantes que interferem no manejo da constipação.

 

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