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Eficácia e protocolo de dosagem de metilcobalamina sublingual em pediatria: uma alternativa à via intramuscular

Análise comparativa de eficácia clínica e parâmetros hematológicos baseada no estudo Aydin et al. (2025).


Vitamina B12 e deficiência
A deficiência de vitamina B12 é uma preocupação de saúde pública global, com prevalência estimada entre 1,5% e 15,0% [1]. Em pediatria, a intervenção precoce é mandatória, uma vez que a cobalamina desempenha um papel central na síntese de mielina e na manutenção do desenvolvimento neuromotor [1].


Quadros deficitários podem resultar em atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, hipotonia, irritabilidade e dificuldades alimentares em lactentes, com risco de sequelas permanentes se não houver correção oportuna [1].


As etiologias predominantes envolvem a ingestão insuficiente (dietas vegetarianas ou contextos de baixa renda), má absorção intestinal e o uso crônico de fármacos que alteram o pH gástrico, como inibidores da bomba de prótons [1].


Este artigo analisa as evidências de um novo regime de dosagem sublingual de metilcobalamina em comparação ao padrão intramuscular (IM), fundamentado em dados clínicos recentes [1].


Mecanismo de ação e farmacologia
A absorção fisiológica da vitamina B12 por via oral é complexa e saturável. Após a ingestão, a cobalamina desliga-se das proteínas alimentares sob baixo pH gástrico e liga-se à proteína R presente na saliva e no fluido gástrico [1].


No duodeno, enzimas pancreáticas degradam esse complexo, permitindo que a cobalamina se ligue ao fator intrínseco (FI) [1]. O complexo FI-cobalamina é absorvido no íleo terminal e, dentro dos enterócitos, a vitamina liga-se à transcobalamina 2 para transporte sistêmico [1].


Diferente da cianocobalamina sintética, a metilcobalamina é uma forma ativa que predomina no plasma (60–80%) [1].


Enquanto a cianocobalamina exige conversão enzimática em metilcobalamina no citoplasma e em desoxiadenosilcobalamina nas mitocôndrias, a metilcobalamina sublingual oferece disponibilidade tecidual imediata [1].


A via sublingual utiliza o plexo venoso sob a mucosa oral para absorção direta, contornando barreiras gastrointestinais e sendo classificada, no contexto do estudo de referência, como uso de suplementos alimentares [1].


Esta via elimina os riscos inerentes à administração IM, como dor intensa, neuropatia ciática acidental e riscos de sangramento em pacientes com discrasias sanguíneas [1].


Evidências clínicas: estudo Aydin Et Al (2025.


Delineamento e população
O estudo retrospectivo analisou 312 pacientes (< 18 anos) com níveis séricos de B12 < 250 ng/L [1]. A coorte foi estratificada em:
•Grupo 1 (IM): 29 pacientes (9,3%) tratados com cianocobalamina intramuscular. Média de idade: 10,07 anos [1].
•Grupo 2 (Sublingual): 283 pacientes (90,7%) tratados com metilcobalamina sublingual. Média de idade: 7,43 anos [1].

Nota técnica: Observou-se que o grupo sublingual era significativamente mais jovem que o grupo IM (p = 0,016) [1]. Notavelmente, 100% dos 56 pacientes oncológicos incluídos na amostra foram alocados no grupo sublingual, evidenciando a preferência por vias não invasivas nesta subpopulação [1].


Protocolo de intervenção sublingual
O regime escalonado seguiu os parâmetros abaixo:


•Dosagem:
o< 8 anos: 500 μg/dia (1 spray) [1].
o≥ 8 anos: 1000 μg/dia (2 sprays) [1].


•Fase de ataque: Administração diária por 1,5 mês [1].
•Fase de manutenção: Administração 3 vezes por semana por mais 1,5 mês [1].
•Administração: Reter o produto na boca por 1 minuto antes de deglutir; jejum absoluto de 15 minutos pós-administração [1].


Resultados de eficácia séria
Ambos os regimes demonstraram capacidade de elevar os níveis de B12 acima do limiar terapêutico de 300 ng/L, sem diferença estatística entre os grupos [1]:



Parâmetros hematológicos e transparência de dados
No grupo sublingual, houve um aumento estatisticamente significativo nos níveis de Hemoglobina (Hb) ao final de 3 meses (p < 0,001) [1]. Contudo, em uma análise rigorosa da eritropoiese, o estudo reportou que o Grupo 2 (Sublingual) apresentou uma redução estatisticamente significativa na contagem de glóbulos vermelhos (RBC) em todos os pontos de acompanhamento (p < 0,001), enquanto o grupo IM apresentou aumento nesse parâmetro [1].

 


Aplicabilidade clínica
Os dados sugerem que a metilcobalamina sublingual possui eficácia comparável à via intramuscular para a correção da deficiência de B12 em pediatria [1]. A relevância clínica desta via é potencializada em pacientes com câncer ou distúrbios hematológicos (como PTI e outras coagulopatias), nos quais a prevenção de injeções IM é crucial para mitigar o risco de sangramento e hematomas musculares, além de reduzir o estresse psicológico [1].


Limitações relevantes:
•Desenho retrospectivo e ausência de randomização [1].
•Discrepância etária entre os grupos de tratamento [1].
•Falta de mensuração de biomarcadores de especificidade superior, como ácido metilmalônico (MMA) e homocisteína [1].


O regime de dosagem sublingual de metilcobalamina (500 μg a 1000 μg) apresenta-se como uma alternativa terapêutica eficaz, segura e com alta conveniência posológica para o manejo da deficiência de vitamina B12 em crianças e adolescentes [1]. Sua adoção pode otimizar a adesão ao tratamento e reduzir a carga de procedimentos invasivos em pacientes crônicos.


REFERÊNCIAS
1.Aydin S, Islamoglu SC, Oz A. Evaluation of a New Sublingual Methylcobalamin Dosage Regimen for Childhood Vitamin B12 Deficiency. Children. 2025; 12(4):442. https://doi.org/10.3390/children12040442

sublingual ,  pediatria ,  saúde infantil ,  intramuscular pediatria