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CONSTIPAÇÃO INTESTINAL NA MULHER: Eficácia e tolerabilidade como pilares da escolha terapêutica

Desde os primórdios da civilização, a preocupação com o funcionamento intestinal é uma constância, em especial, com a constipação intestinal (CI), também conhecida como prisão de ventre. Sua incidência é estimada em 15% da população mundial, porém sem dados epidemiológicos específicos no Brasil1,2. Caracteriza-se pela evacuação difícil, diminuição da frequência do número das evacuações (3 ou menos evacuações na semana) e, muitas vezes, acompanhada de dificuldade ao evacuar causada por fezes ressecadas e endurecidas, ou sensação de esvaziamento incompleto3.

A constipação intestinal (CI) nas mulheres é extremamente importante, pois afeta desproporcionalmente o sexo feminino devido a fatores hormonais (progesterona e estrogênio) e anatômicos (cólon mais longo). Outra explicação é o hábito ainda comum de algumas mulheres não obedecerem ao desejo evacuatório (não evacuam fora de casa), fato que pode causar ressecamento das fezes, seguido de dificuldade de eliminá-las e até ferimento no ânus, como a fissura anal1,2.

Impacta diretamente a qualidade de vida, causando dores abdominais, inchaço e estresse, além de estar associada a distúrbios como endometriose, miomas, disbiose e doenças inflamatórias1,2.

 

ESTUDOS CIENTÍFICOS DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL EM MULHERES

Trabalhos atuais indicam que a CI é significativamente mais comum em mulheres, com prevalências elevadas (até 47% em pós-menopausa)4 associadas ao baixo consumo de fibras/água5, sedentarismo e fatores hormonais. Pesquisas destacam o esforço evacuatório (91,9%) e sensação de evacuação incompleta (83,8%) como principais sintomas1,2

Prevalência e fatores de risco: as mulheres têm o dobro da probabilidade de desenvolver CI em comparação aos homens, com uma alta prevalência observada em mulheres mais jovens (18 a 38 anos) e em idosas. Fatores como baixo consumo de água e vegetais, obesidade, menor escolaridade e histórico de cirurgia perianal estão fortemente associados5,6.

Sintomas: os mais relatados, segundo critérios como o de Roma, incluem esforço ao evacuar, sensação de evacuação incompleta, fezes endurecidas e, frequentemente, necessidade de manobras manuais para facilitar a evacuação3.

Impacto no estilo de vida: estudos mostram que mais de 25% das mulheres avaliadas evacuam menos de três vezes por semana, com alta incidência de sobrepeso, obesidade e inatividade física, que agravam o quadro3,7,8.

Abordagens terapêuticas: A literatura sugere intervenções baseadas em mudanças no estilo de vida, como aumento do consumo de fibras e água, além do uso de probióticos. Para casos refratários, mencionam agentes como a lubiprostona e a prucaloprida (para mulheres acima de 18 anos)1,9-12.

 

IMPACTOS DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL EM MULHERES 4,8

Saúde hormonal: o intestino participa da eliminação do excesso de estrogênio. Quando constipado, a recirculação desse hormônio pode aumentar a chance de desenvolver condições como lipedema. Esta é uma doença crônica e inflamatória do tecido adiposo, caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e quadris, poupando os pés. Isso afeta quase exclusivamente mulheres, causando dor, inchaço, facilidade em provocar hematomas e sensação de peso. Também pode produzir miomas uterinos e síndrome dos ovários policísticos.

Qualidade de vida: a dificuldade de evacuar gera dor pélvica, estufamento, irritabilidade e até disfunção sexual (dispareunia).

Ciclo menstrual e gravidez: a progesterona, que aumenta antes da menstruação e na gravidez, relaxa a musculatura do intestino, tornando o trânsito lento, contribuindo para a CI.

Fatores comportamentais: muitas mulheres inibem o reflexo defecatório (não vão ao banheiro fora de casa), o que causa o ressecamento das fezes.

Doenças relacionadas: a CI crônica está ligada a um maior risco de fissura anal e incontinência urinária de esforço, especialmente após a menopausa. 

Emoções: principalmente estresse e ansiedade, mas também medo, raiva e tristeza, afetam o intestino, desencadeando sintomas como dor e prisão de ventre, pois o "eixo intestino-cérebro" libera hormônios que alteram o trânsito intestinal, a motilidade e a microbiota intestinal, podendo contribuir para agravar condições como a síndrome do intestino irritável (SII), doença inflamatória intestinal (DII), gastrite e doença do refluxo gastroesofágico.

 

CONSTIPAÇÃO INTESTINAL NAS FASES DA MULHER4,5,7,8,11,13

Menstruação e CI: a prisão de ventre durante a menstruação é comum. É causada principalmente pelo aumento da progesterona que acontece antes da menstruação, que relaxa a musculatura intestinal, retardando as contrações. A CI e o inchaço abdominal, costumam ocorrer na fase pré-menstrual, aliviando quando a menstruação acaba e os níveis hormonais caem. 

Gravidez e CI: a CI é uma complicação comum e uma experiência desagradável durante a gravidez. Devido a fatores hormonais, os movimentos intestinais diminuem nesse período, causando disfunções do sistema digestivo. Uma metanálise avaliou sua prevalência mundial durante a gravidez, visando prevenir e minimizar suas complicações. Os resultados mostraram que a prevalência global de CI ao longo da gravidez é de 32,4%. Ela ocorre no primeiro trimestre em 21,1% delas, no segundo 34% e no terceiro trimestre 30,3%. Para preveni-la ou mesmo reduzi-la, concluíram ser crucial fornecer intervenções educativas sobre nutrição e incentivar a atividade física moderada durante a gravidez7.

Menopausa e CI: na menopausa, é comum a CI pela queda de estrogênio, que aumenta o cortisol, tornando as fezes mais secas, bem como a progesterona, que diminui a motilidade intestinal. Ela afeta quase metade das mulheres na pós-menopausa, causando gases e inchaço. Há também o desequilíbrio hormonal, alterando a microbiota intestinal e enfraquecendo os músculos do assoalho pélvico, dificultando a evacuação.

 

CLASSIFICAÇÃO DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL2,3,8,12,14

Pode ser classificada de acordo com a sua causa e mecanismo fisiopatológico: 

 

 

PRIMÁRIA

Quando não há uma causa orgânica subjacente, (também chamada de funcional), sendo a mais comum. Divide-se em:

Constipação de trânsito normal: O trânsito colônico é normal, mas o paciente relata sintomas de constipação (frequentemente associada a fezes endurecidas).

Constipação de trânsito lento: ocorre um retardo no peristaltismo do cólon, muitas vezes relacionado a distúrbios neurológicos ou miogênicos.

Disfunção do assoalho pélvico (obstrução da saída): há dificuldade em evacuar pela incapacidade de relaxar os músculos do assoalho pélvico ou contração paradoxal do esfíncter anal durante o esforço.

SECUNDÁRIA

Resultante de fatores externos ou doenças, como medicamentos (opioides, antiácidos, antidepressivos), distúrbios metabólicos (diabetes, hipotireoidismo), neurológicos (Parkinson) ou estruturais.

DIAGNÓSTICO DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL 20

É essencialmente clínico, baseado na história do paciente, podendo ser apoiado por exames físicos e complementares. A versão mais recente dos Critérios de Roma (Roma V) introduziu refinamentos na abordagem diagnóstica da constipação 20.

Critérios diagnósticos de Roma V para constipação crônica e sinais de alarme para encaminhamento ao gastroenterologista20.

Critérios diagnósticos

Sinais de alarme

Dois ou mais critérios abaixo, em pelo menos um quarto das evacuações, por no mínimo três meses, com início há pelo menos seis meses:

• Esforço evacuatório

• Fezes endurecidas ou fragmentadas (Bristol tipo 1 ou 2)

• Sensação de evacuação incompleta

• Sensação de bloqueio ou obstrução anorretal

• Necessidade de manobras manuais para facilitar a evacuação

• Menos de três evacuações espontâneas por semana

Fezes amolecidas raramente presentes sem uso de laxativos, e critérios insuficientes para síndrome do intestino irritável.

• Sangramento retal

• Perda de peso involuntária

• Anemia ferropriva sem causa identificada

• Início após os 50 anos sem investigação prévia

• História familiar de neoplasia colorretal

A presença de qualquer um desses sinais justifica encaminhamento ao gastroenterologista antes de tratamento empírico.

 

Métodos Diagnósticos e Exames

História clínica e exame físico: fundamental para descartar causas secundárias, incluindo o toque retal, para avaliar a disfunção do assoalho pélvico e a presença de fecaloma.

Manometria anorretal: avalia a pressão dos esfíncteres anais e a sensibilidade retal, ajudando a identificar disfunções do assoalho pélvico.

Estudo do trânsito colônico: mede o tempo que as fezes levam para cruzar o cólon.

Colonoscopia: recomendada para pacientes com sinais de alerta (perda de peso, sangramento, anemia) para descartar neoplasias ou doenças estruturais. 

 

TRATAMENTO2,5-10,12-15,20

O tratamento da CI deverá ser iniciado, desde que o paciente não tenha qualquer sinal de alarme, como sangramento, emagrecimento, anemia, ou tenha mais de 45 anos.

Recomendações gerais para adultos:

O último consenso e as diretrizes europeias recentes sobre constipação intestinal (como as da European Society for Neurogastroenterology and Motility – ESNM e revisões baseadas no Critério de Roma IV e V), enfatizam uma abordagem escalonada3,14,20. Elas priorizam modificações de estilo de vida e segurança para populações específicas, incluindo gestantes. São elas:

  1. Abordagem em etapas (Stepwise Approach): começar sempre com o aumento da ingestão de fibras, hidratação adequada e atividade física.
  2. Laxantes como segunda opção: se as mudanças de estilo de vida falharem, o uso de laxantes é recomendado, priorizando os que não têm absorção sistêmica significativa. 

Foco Especial em Grávidas:

As diretrizes destacam que a constipação é comum na gestação devido a fatores hormonais e anatômicos. A segurança da mãe e do feto é a prioridade: 

  1. Primeira linha (não farmacológica)
  • Fibras e água:dieta rica em fibras e alta ingestão hídrica para melhorar a consistência das fezes.
  • Movimento:caminhadas, natação ou hidroginástica diárias auxiliam no funcionamento do intestino.
  • Hábitos:criar uma rotina, preferencialmente logo após o café da manhã, para aproveitar o reflexo natural do intestino.
  • Posicionamento:uso de apoio para os pés no vaso sanitário para facilitar a evacuação.
  1. Segunda linha (farmacológica e de uso seguro)
  • Laxantes formadores de volume:compostos de fibra, sintéticos ou naturais, como psílio (plantago ovata), farelo de trigo e metilcelulose, são considerados os mais seguros, pois não são absorvidos e não oferecem risco ao feto.
  • Laxantes osmóticos:polietilenoglicol (PEGLax), lactulose e hidróxido de magnésio (leite de magnésia) que hidratam as fezes, são bem tolerados e têm raros efeitos colaterais. São comprovadamente seguros durante a gravidez. O polietilenoglicol (PEG-LAX) é frequentemente preferido por ter menor índice de flatulência e cólicas em comparação com a lactulose.
  1. Terceira linha (laxantes estimulantes)
  • Laxantes estimulantes, quando indicados, precisam ser utilizados com cautela considerando-se os seguintes pontos de atenção:
  • O uso prolongado de laxantes estimulantes pode causar dependência (cólon catártico) e desequilíbrios eletrolíticos.
  • Probióticos têm sido estudados como formas de auxiliar a microbiota intestinal, melhorando o trânsito.
  • O acompanhamento médico é crucial para evitar a automedicação, especialmente com laxantes fitoterápicos ou estimulantes. 

 

LIMITAÇÕES DAS PRÁTICAS CLÍNICAS ATUAIS1,2

Elas residem, principalmente, na falta de eficácia a longo prazo, na dependência de medicamentos, no tratamento de sintomas em vez da causa e nos efeitos colaterais.

As principais limitações são:

Abordagem genérica e simplista: a recomendação padrão de "comer mais fibras" é considerada simplista. Em muitos casos de CI crônica, o tipo e a qualidade das fibras são mais importantes que a quantidade, e o aumento desordenado delas pode até piorar a condição, devido ao aumento dos gases e da distensão abdominal. Sua eficácia é variável, dificultando a adesão do paciente.

Dependência e efeitos colaterais de laxantes: o uso prolongado de laxantes, especialmente estimulantes/irritantes, pode levar ao vício intestinal (o intestino deixa de funcionar sem a medicação), além de causar cólicas, diarreia e desequilíbrios de eletrólitos.

Baixa taxa de resposta a longo prazo: muitas terapias atuais falham em manter o alívio sustentado dos sintomas, levando os pacientes a trocar frequentemente de medicação ou a desistir do tratamento.

Subdiagnóstico das causas subjacentes: a constipação é um sintoma, não uma doença. Muitas vezes, trata-se as fezes endurecidas, mas não a causa principal, como distúrbios neurológicos, metabólicos (hipotireoidismo, diabetes) ou problemas estruturais/funcionais do assoalho pélvico.

Falha na personalização: A CI pode ser decorrente de trânsito lento (o cólon demora a mover as fezes) ou disfunção evacuatória (dificuldade em expelir). Um tratamento que funciona para um tipo pode ser ineficaz para o outro, mas muitas vezes aplica-se a mesma abordagem para todos.

Interferência de outros medicamentos: muitos pacientes com CI crônica precisam de medicamentos para outras condições (como opioides, antidepressivos, ferro, anti-hipertensivos) que, paradoxalmente, travam o intestino, tornando o tratamento um ciclo difícil de quebrar.

Intervenções cirúrgicas como último recurso: quando tratamentos de estilo de vida e medicamentos falham, opções cirúrgicas são limitadas e reservadas para casos graves, apresentando riscos inerentes. 

Portanto, há a necessidade de um tratamento multidisciplinar e personalizado, que vá além da simples prescrição de laxantes, focando na reeducação intestinal, ajustes específicos de dieta e investigação de causas funcionais. 

 

 

 

LAXATIVOS OSMÓTICOS NO MANEJO DA CONSTIPAÇÃO INTESTINAL

Sob a visão das diretrizes clínicas baseadas em evidências, como a da WGO, de 2025, os laxantes osmóticos desempenham um papel fundamental e de primeira linha no tratamento da constipação crônica e idiopática, sendo valorizados por sua eficácia e boa tolerância. Eles agem atraindo água para o lúmen intestinal, o que amolece as fezes e facilita a evacuação de maneira mais fisiológica, sem irritar diretamente o intestino21

Papel e recomendações das diretrizes9, 14,17-19,22,23

  • Tratamento de primeira linha:diretrizes (como a da Sociedade Nacional Francesa de Coloproctologia e da Sociedade Portuguesa de Coloproctologia) recomendam os laxantes osmóticos e de volume como a terapia inicial para a constipação crônica, inclusive durante a gravidez.
  • Eficiência comprovada:estudos mostram que são mais eficazes do que o placebo, aumentando a frequência de defecação e sendo seguros para uso a longo prazo.
  • Preferência pelo polietilenoglicol (PEG):o PEG é frequentemente preferido, especialmente em idosos, devido à maior evidência de eficácia e menor perfil de efeitos colaterais em comparação à lactulose.
  • Uso em populações especiais:são considerados seguros e eficazes para uso em idosos.
  • Ação terapêutica:atuam retendo água no intestino grosso por meio da osmose, melhorando o trânsito intestinal e o volume das fezes. 

 

SUPERIORIDADE DO POLIETILENOGLICOL À LACTULOSE 7-9,13,17,18,19

Estudos clínicos e revisões sistemáticas demonstram que o polietilenoglicol (PEG 3350/4000) é, em geral, superior à lactulose no tratamento da constipação funcional crônica, tanto em crianças quanto em adultos e gestantes, apresentando maior eficácia e melhor perfil de tolerância. 

  1. Eficácia superior do PEG 
  • Aumento da frequência:o PEG é mais eficaz em aumentar o número de evacuações por semana em comparação à lactulose.
  • Consistência das fezes:o PEG demonstra maior eficiência em amolecer as fezes e reduzir a dor ao evacuar.
  • Taxa de sucesso:estudos mostram taxas de sucesso mais elevadas com PEG (ex.: 56% no PEG vs. 29% na lactulose em alguns estudos pediátricos) 9.
  • Menor necessidade de laxantes adicionais:pacientes em uso de PEG necessitam com menor frequência de intervenções adicionais (como supositórios ou enemas) em comparação aos usuários de lactulose. 
  1. Melhor perfil de tolerância (menos efeitos colaterais)
  • Gases e flatulência:o PEG causa significativamente menos flatulência, distensão abdominal e dor abdominal do que a lactulose, que frequentemente fermenta no intestino.
  • Sabor e adesão:O PEG é, em geral, insípido (sem sabor) e inodoro, o que facilita a aceitação, especialmente por crianças, ao contrário da lactulose, que é muito doce.

Eventos adversos: A lactulose apresenta maior incidência de diarreia, náuseas e vômitos comparada ao PEG. 

  1. Mecanismo de Ação
  • PEG (agente osmótico não absorvível):atua retendo água no intestino, amolecendo as fezes sem ser absorvido pelo corpo ou fermentado por bactérias, o que reduz os efeitos colaterais.
  • Lactulose (açúcar sintético):a lactulose é um dissacarídeo que, ao ser fermentado pelas bactérias do cólon, pode gerar gases e cólicas, além de atrair água. 
  1. Uso em populações especiais7,8,13
  • Gestantes:estudos indicam que o PEG é tão eficaz quanto a lactulose, mas com a vantagem de causar menos diarreia e fezes excessivamente amolecidas.
  • Crianças:o PEG é considerado de primeira linha devido à eficácia superior na resolução da impactação fecal e melhor aceitação do sabor. 

Conclusão: embora a lactulose seja eficaz, o PEG é superior, principalmente por causar menos efeitos colaterais (menos gases e dor) e ter melhor adesão ao tratamento (sabor neutro)

 

 

 

POLIETILENOGLICOL (PEG)

O polietilenoglicol (PEG) é considerado o laxante mais fisiológico e seguro, não só entre os osmóticos, mas entre todos os demais laxativos1,2,16,17,18. É um medicamento não absorvível que exerce importante efeito laxativo por promover a retenção de água na luz intestinal. A intensidade dessa retenção se reflete na sua ação laxativa e é proporcional à quantidade de moléculas ou íons presentes durante seu trânsito pelo intestino1,2,16.

Vários estudos mostraram que ele preenche todos os requisitos de segurança: pureza química, não absorvível, ausência de toxicidade, resistência a enzimas digestivas, ausência de efeito sobre as enzimas bacterianas, mensurabilidade confiável e inerte ao processo biológico16,17,18.

É um laxativo bastante eficaz e seguro na CI, podendo ser utilizado por longo período, e que não interfere com os parâmetros nutricionais ou de absorção do paciente. Vários estudos evidenciaram que sua eficácia foi significativamente maior, quando comparada à lactulose1,2,6,16,17,18.

Pela sua ação fisiológica no estímulo evacuatório, o consenso europeu sobre CI, concluiu ser o PEG, o laxativo de escolha para o uso durante a gravidez8. É recomendado para CI, também, pela Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO) e é a droga preferida para pacientes com CI refratárias1,2,3,15,19, 21.

 

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Flávio Antonio Quilici, CRM-SP 17015

Prof. Titular de Cirurgia Digestiva e Gastroenterologia da PUC Campinas

Membro das Academias Nacional de Medicina e Medicina de São Paulo

Ex-presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia e das

Sociedades Brasileiras de Endoscopia Digestiva e de Coloproctologia

ECBC, TFBG, TSOBED, TSBCP, TCBCD, TALACP, FAGA, FISUCRS, FASCUS

gastroenterologia
ginecologia e obstetricia