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Boletim de vitamina D | Endocrinologia | Julho

Efeitos de diferentes suplementos de vitamina D na distribuição de gordura corporal e no metabolismo dos glicolípidos em pacientes com síndrome metabólica associada à obesidade: uma meta-análise

Huang, Qin MMa; Zhan, Jidong MMa; Gui, Yuan MMa; Ma, Ming MMa; Li, E. MMa,*

Link do artigo:

https://journals.lww.com/md-journal/fulltext/2026/02200/effects_of_different_vitamin_d_supplements_on_body.60.aspx

A meta análise conduzida por Huang QMM, et al., (2026) sintetiza o resultado de 50 ensaios clínicos randomizados em pacientes com obesidade e/ou síndrome metabólica, indicando que a suplementação com vitamina D3 ou vitamina D ativa esteve associada a reduções estatisticamente significativas da adiposidade visceral, com tamanho de efeito moderado (SMD −0,35; IC95% −0,50 a −0,20 e SMD −0,40; IC95% −0,60 a −0,20), e heterogeneidade moderada (I² 42%). Em paralelo, observaram-se reduções pequenas a moderadas, porém consistentes, na glicemia de jejum (−0,30 a −0,35 mmol/L) e na resistência à insulina avaliada por HOMA‑IR (SMD −0,40 a −0,45), além de diminuição de LDL (−0,30 a −0,25 mmol/L), com impacto limitado em HDL. Esses achados sugerem modulação do metabolismo glicolipídico possivelmente mediada por efeitos sobre secreção e sensibilidade à insulina. Subanálises indicam maior magnitude de benefício em cenários com doses ≥2000 UI/dia, duração ≥6 meses e níveis basais de 25(OH)D <20 ng/mL, apontando para relação dependente de dose e tempo de exposição. Em contraste, a vitamina D2 não demonstrou efeito relevante sobre adiposidade visceral (SMD −0,10; IC95% −0,25 a 0,05). Apesar da consistência dos desfechos intermediários, a variabilidade entre estudos e a ausência de avaliação de desfechos clínicos finais, como eventos cardiovasculares, limitam a extrapolação dos resultados, sustentando o papel da vitamina D3 como estratégia adjuvante no manejo da síndrome metabólica, sem evidência de benefício isolado.

Huang, Qin MMa; Zhan, Jidong MMa; Gui, Yuan MMa; Ma, Ming MMa; Li, E. MMa,*. Effects of different vitamin D supplements on body fat distribution and glucolipid metabolism in patients with obesity-associated metabolic syndrome: A meta-analysis. Medicine 105(8):p e47436, February 20, 2026.

 

Experiência inicial com suplementação de vitamina D3 na função cognitiva em pacientes com NPSLE em Bangladesh

Sultana, N., Ihsan, M. A., Adnan, S. M., Kawser, M., Arefin, M. S., & Islam, S. N.

Link do artigo: https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/02601060251410451#tab-contributors

Em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico com envolvimento neuropsiquiátrico (NPSLE) sob tratamento padrão, a suplementação adjuvante com vitamina D3 foi associada a melhora de parâmetros cognitivos e aumento dos níveis séricos de vitamina D ao longo de 6 meses de acompanhamento. Neste ensaio clínico randomizado (N=72), o grupo que recebeu vitamina D3 em altas doses iniciais por 6 semanas (40.000 UI), seguidas de dose de manutenção (2000 UI/dia) por 3 meses, apresentou elevação da 25(OH)D de 16,2 ± 4,9 para 28,3 ± 5,3 ng/mL (p ≤ 0,001), indicando correção parcial do status vitamínico. Observou‑se ainda que a diferença média das pontuações no Mini‑Mental State Examination (MMSE) foi maior no grupo suplementado em comparação ao grupo sem vitamina D (2,2 vs. 0,3 pontos), com tamanho de efeito classificado como médio (η2p = 0,460), sugerindo benefício cognitivo moderado nessa população. A análise de covariância indicou grande tamanho de efeito para a concentração de vitamina D (η2p = 0,714), reforçando o impacto da intervenção sobre esse marcador laboratorial. Em contraste, a hipoperfusão cerebral avaliada por SPECT não apresentou mudança estatisticamente significativa ao longo do tempo (p > 0,05), apontando ausência de evidência conclusiva de efeito da vitamina D3 sobre esse desfecho de imagem nas condições estudadas. Em conjunto, os dados sugerem que a vitamina D3 atuou como terapia auxiliar, com melhora mensurável da função cognitiva, sem demonstrar modificação significativa da hipoperfusão cerebral em NPSLE no período avaliado.

Sultana, N., Ihsan, M. A., Adnan, S. M., Kawser, M., Arefin, M. S., & Islam, S. N. (2026). Initial experience with vitamin D3 supplementation on cognitive function in NPSLE patients in Bangladesh.. Nutrition and health, 2601060251410451.

 

Efeito da suplementação de vitamina D nos biomarcadores da síndrome metabólica e da aterosclerose na epilepsia: um ensaio clínico randomizado

Handayani, S., Hafy, Z., Octaviana, F., Ali, Z., Parisa, N., Budikayanti, A., Agustini, D., & Partan, R. U.

Link do artigo: https://medicinskiglasnik.ba/article/id/608/

Em adultos com epilepsia em uso de medicamentos antiepilépticos enzimáticos, a suplementação de vitamina D3 na dose de 2.000 UI/dia por 12 semanas foi associada a elevação dos níveis séricos de 25‑hidroxivitamina D [25(OH)D] e à modulação de biomarcadores relacionados à síndrome metabólica e à aterosclerose, em comparação ao placebo. Observou‑se aumento de 25(OH)D de +10,67 ± 8,16 ng/mL no grupo vitamina D, versus redução de −1,29 ± 3,96 ng/mL no grupo placebo (p < 0,001), indicando restauração do status de vitamina D na população estudada. Em relação aos desfechos metabólicos, a suplementação esteve associada a maior incremento de adiponectina (+1,38 ± 3,05 vs. +0,34 ± 1,89 μg/mL; p = 0,045) e a maior redução da proteína C reativa de alta sensibilidade (hs‑CRP −6,74 ± 14,65 vs. +1,81 ± 7,75 mg/L; p = 0,041), sugerindo efeito favorável em marcadores pró‑ateroscleróticos e inflamatórios. Por outro lado, não foram identificadas diferenças significativas entre vitamina D3 e placebo quanto às mudanças em HOMA‑IR (−0,24 ± 3,71 vs. −0,14 ± 3,38; p = 0,940), indicando ausência de efeito demonstrado sobre resistência à insulina no período avaliado, nem em relação à homocisteína (7,90 ± 1,79 vs. 8,15 ± 2,70 μmol/L; p = 0,290), apesar da melhora dos demais marcadores. Em conjunto, os achados apontam que, em pacientes com epilepsia em uso de ASMs enzimáticos, a vitamina D3, na posologia estudada, normaliza 25(OH)D e melhora adiponectina e hs‑CRP, sem evidência de impacto em HOMA‑IR ou homocisteína ao longo de 12 semanas.

Handayani, S., Hafy, Z., Octaviana, F., Ali, Z., Parisa, N., Budikayanti, A., Agustini, D., & Partan, R. U. (2026). Effect of vitamin D supplementation on metabolic syndrome and atherosclerosis biomarkers in epilepsy: a randomized controlled trial. Medicinski Glasnik.

 

O papel da vitamina D nos desfechos da gravidez no diabetes gestacional: um ensaio clínico randomizado

Liu, Y., Luo, L., Cheng, X., & Yin, Q.

Link do artigo: https://ec.bioscientifica.com/view/journals/ec/15/2/EC-25-0932.xml

O estudo conduzido por Liu Y, et al., (2026) com 229 mulheres com diabetes mellitus gestacional, avaliou a suplementação de vitamina D como adjuvante ao cuidado padrão por 6 semanas, na dose de 200 UI duas vezes ao dia, em comparação a placebo. Nesse contexto, observou-se que a suplementação elevou os níveis séricos de 25(OH)D e cálcio em magnitude estatisticamente superior ao placebo, indicando melhora do status de vitamina D e do metabolismo do cálcio. Em paralelo, houve modulação favorável de marcadores de estresse oxidativo, com aumento da glutationa reduzida (GSH) e redução do malondialdeído (MDA), bem como redução da proteína C reativa de alta sensibilidade (hs‑CRP), sugerindo atenuação de estresse oxidativo e inflamação sistêmica. Em termos de desfechos neonatais, o grupo que recebeu vitamina D apresentou menor peso ao nascer e menor incidência de macrossomia em comparação ao grupo placebo, apontando associação entre a intervenção e um perfil antropométrico neonatal menos desfavorável. Embora tenha sido registrada queda maior da glicemia de jejum no grupo suplementado, o estudo relata que não houve diferenças significativas no controle glicêmico de forma global nem na maioria dos demais desfechos obstétricos avaliados, o que reforça a necessidade de interpretar os achados principalmente no âmbito de marcadores bioquímicos de estresse oxidativo/inflamação e de desfechos de macrossomia, sem extrapolação para controle glicêmico amplo ou outros desfechos clínicos não demonstrados diretamente.

 

Liu, Y., Luo, L., Cheng, X., & Yin, Q. (2026). The role of vitamin D in pregnancy outcomes in gestational diabetes: a randomized controlled trial. Endocrine Connections, 15.

 

 Vitamina D na Encefalomielite Miálgica/Síndrome da Fadiga Crônica após COVID-19 ou Vacinação: Um Ensaio Clínico Randomizado

Kodama, S., Nakata, M., Konishi, N., Yoshino, M., Fujisawa, A., Naganuma, M., Kobayashi, Y., Hirai, Y., Kitagawa, A., Miyokawa, M., Mishima, R., Teramukai, S., & Fukushima, M.

Link do artigo: https://www.mdpi.com/2072-6643/18/3/521

Neste ensaio clínico randomizado, multicêntrico e aberto, foi avaliado o impacto da orientação estruturada para terapia de reposição de vitamina D sobre sintomas de encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica (ME/SFC) em 91 pacientes que desenvolveram ME/SFC como síndrome pós-vacinação (SVP) ou Sequelas Pós-Agudas da infecção por SARS-CoV-2 (PASC) e apresentavam 25(OH)D sérica <30 ng/mL. Os participantes foram randomizados 1:1 para um grupo de intervenção, que recebeu preparação ativa de vitamina D associada a orientação de reposição (suplementação diária de 25 µg, aconselhamento dietético, exposição solar e exercícios), ou grupo controle, que recebeu apenas a preparação ativa de vitamina D, por 12 semanas. O desfecho primário foi a mudança na contagem de sintomas de ME/SFC. Observou-se redução média de 6,7 sintomas no grupo intervenção versus 1,2 no controle, com diferença entre grupos de −5,6 sintomas (IC95% −7,2; −3,9; p<0,001), indicando efeito clinicamente relevante na sintomatologia. Os níveis séricos de 25(OH)D aumentaram de 18,6 para 27,1 ng/mL no grupo intervenção, enquanto no controle houve tendência de queda, com diferença média entre grupos de 10,2 ng/mL (IC95% 7,9; 12,5). A proporção de pacientes que passaram a apresentar <8 sintomas, deixando de preencher critérios diagnósticos de ME/SFC, foi maior no grupo intervenção (16 pacientes) em comparação ao controle (1 paciente; p<0,001). Análises de subgrupos indicaram que a associação entre o pacote de intervenção voltado à otimização global da vitamina D e a redução da contagem de sintomas foi consistente tanto em pacientes com ME/SFC pós-vacinação (SVP; n=56) quanto em pacientes com ME/SFC associada a PASC (n=29), dentro do período de 12 semanas avaliado.

Kodama, S., Nakata, M., Konishi, N., Yoshino, M., Fujisawa, A., Naganuma, M., Kobayashi, Y., Hirai, Y., Kitagawa, A., Miyokawa, M., Mishima, R., Teramukai, S., & Fukushima, M. (2026). Vitamin D in Myalgic Encephalomyelitis/Chronic Fatigue Syndrome After COVID-19 or Vaccination: A Randomized Controlled Trial. Nutrients, 18.

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