- INTRODUÇÃO
O trato gastrointestinal (TGI) é o único sistema do corpo humano que possui um sistema nervoso próprio e autônomo, denominado Sistema Nervoso Entérico (SNE). Frequentemente chamado de 'segundo cérebro', o SNE é composto por mais de 500 milhões de neurônios e neurotransmissores que orquestram a motilidade, secreção e fluxo sanguíneo intestinal.1-3 A comunicação entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o SNE compõe o Eixo Cérebro-Intestino, uma via bidirecional complexa mediada por neurotransmissores e a microbiota intestinal.1
Aproximadamente 95% da serotonina (5-HT) e 50% da dopamina do organismo são produzidas e armazenadas no TGI. Consequentemente, desordens psiquiátricas e medicamentos neuromoduladores (tratamento de depressão, ansiedade, esquizofrenia etc.), apresentam consequências inevitáveis no SNE.1,2 O reflexo prático dessa modulação periférica é a alta incidência de efeitos adversos gastrointestinais, que variam desde o TGI alto (dispepsia e refluxo) até o TGI baixo (constipação, diarreia, distensão e dor abdominal).4,5
A constipação intestinal crônica (CIC), apesar de frequente, permanece um desafio tratado de forma empírica e superficial. A complexidade e multifatoriedade de mecanismos fisiopatológicos desta condição gastrointestinal exige do especialista uma abordagem que transcenda a simples prescrição sintomática e dietética. Pacientes psiquiátricos apresentam uma prevalência de constipação significativamente superior à população geral, muitas vezes ultrapassando a marca de 50% em coortes de pacientes em uso crônico de antipsicóticos ou antidepressivos tricíclicos.6,7
Este material foi concebido como uma ferramenta de atualização para o psiquiatra e gastroenterologista, propondo uma revisão estratégica e aprofundada sobre a CIC no âmbito da psiquiatria. O objetivo é ir além do óbvio, refinando o processo etiológico e manejo com base nas mais robustas evidências científicas e experiências.
- DEFINIÇÕES: DO FUNCIONAMENTO NEUROLÓGICO A CONSTIPAÇÃO
TRATO GASTROINTESTINAL E O EIXO CÉREBRO-INTESTINO
O eixo cérebro-intestino (ECI) consiste em uma complexa rede de comunicação bidirecional que integra o SNC e o SNE. Esta comunicação é mediada primariamente por vias nervosas autonômicas, com destaque para a sinalização parassimpática através do nervo vago, além de modulação simpática e endócrina com receptores e neuromoduladores específicos, conforme evidenciada na Figura 1.
A Via Colinérgica e o Nervo Vago
O nervo vago atua como a principal via de dados aferentes e eferentes do ECI. A sinalização colinérgica, mediada pela Acetilcolina (ACh), é fundamental para a função secretora e motora. Conforme mapeado no TGI, a ACh exerce sua função através de receptores nicotínicos (nAChR) e muscarínicos (mAChR, subtipos M1 a M5). Na musculatura lisa gástrica, receptores mAChR M3 estão amplamente distribuídos, promovendo contração. As células ECL (Enterocromafins-like) expressam receptores mAChR M1, que modulam a secreção ácida.8 A ACh atua em receptores nAChR para a neurotransmissão ganglionar rápida e em receptores mAChR (M3) para sustentar o tônus motor e a motilidade peristáltica.3,4 O uso de anticolinérgicos na prática clínica frequentemente resulta em constipação secundária ao bloqueio destas vias.
Fármacos com propriedades anticolinérgicas (como tricíclicos, antipsicóticos de baixa potência e antiparkinsonianos) bloqueiam reversivelmente os receptores M3. Isso resulta em diminuição drástica da amplitude e frequência das contrações peristálticas, prolongamento do tempo de trânsito colônico e, consequentemente, maior reabsorção de água pelo lúmen, gerando fezes endurecidas e calibrosas (fecalomas).1,4
A Via Serotoninérgica (5-HT)
O TGI abriga a vasta maioria da serotonina corporal. A sinalização por 5-HT é complexa, dada a diversidade de subtipos de receptores (5-HT1 a 5-HT4 e outros) distribuídos por diferentes tecidos. Receptores 5-HT3 e 5-HT4 no plexo mioentérico são cruciais. O receptor 5-HT4 tem papel procinético (facilitando a liberação de ACh para promover motilidade), sendo um alvo farmacológico estabelecido na gastroenterologia.1,9 Receptores 5-HT3 estão envolvidos na sinalização aferente vagal da náusea e vômito, justificando a eficácia dos antagonistas 5-HT3 (ex: ondansetrona).
No intestino delgado, enterócitos e outras células da mucosa expressam receptores 5-HT1 e 5-HT4, participando da regulação da secreção fluida e da permeabilidade (barreira epitelial) (2, 5).1,2,9 Fármacos inibidores da recaptação de serotonina (ISRS), amplamente prescritos na psiquiatria, frequentemente induzem efeitos adversos gastrointestinais iniciais (como diarreia ou dispepsia) devido ao súbito aumento da disponibilidade de 5-HT nestas fendas sinápticas entéricas.10
Antidepressivos (ISRS, Duais) inicialmente aumentam a serotonina na fenda sináptica entérica, o que pode causar diarreia aguda. No entanto, o uso crônico frequentemente leva ao down regulation (dessensibilização) dos receptores serotoninérgicos procinéticos.2 Além disso, muitos antipsicóticos atípicos atuam como potentes antagonistas de receptores 5-HT (como 5-HT2A e 5-HT3), inibindo os reflexos peristálticos intrínsecos e retardando o esvaziamento gástrico e trânsito colônico.2,5

Figura 01. O eixo cérebro intestino evidenciado pelas vias simpática e parassimpática, receptores e neurotransmissores. Legenda: 5-HT, serotonina; Ach, acetilcolina; nAChR, receptores nicotínicos MAChR, receptores muscarínicos; ECL, células enterocromafins. Imagem gerada por inteligência artificial.
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL
Constipação é definida pela dificuldade, infrequência ou defecação insatisfatória. Os critérios de Roma V para a constipação intestinal primária oferecem uma estrutura padronizada, essencial para a prática clínica e para a pesquisa.11,12 Dentre as causas secundárias de constipação, devemos nos atentar neste documento as doenças psiquiátricas e medicamentos com ação em SNC.2,12
- A PSIQUIATRA E OS SINTOMAS GASTROINTESTINAIS: OS MEDICAMENTOS E AS DESORDENS PSIQUIÁTRICAS
DESORDENS PSIQUIÁTRICAS
A relação entre desordens psiquiátricas e motilidade intestinal não se restringe aos efeitos adversos farmacológicos; a própria fisiopatologia subjacente de vários transtornos catalogados no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) cursa com disfunções entéricas basais.13 Há uma relação bidirecional expressiva entre transtornos de ansiedade, depressão maior e transtornos somatoformes com desordens da interação cérebro-intestino (DGBI).14,15 A seguir, destacam-se as principais desordens e seu impacto na motilidade gastrointestinal (Figura 2).

Figura 02. Disfunções entéricas basais e alterações de motilidade gastrointestinal associadas a transtornos psiquiátricos. Legenda: DSM-5, Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais; HHA, eixo hipotálamo-hipófise-adrenal; TAG, transtorno de ansiedade generalizada; DGBI, desordens do eixo cérebro-intestino. Imagem gerada por Inteligência artificial.
- Transtorno Depressivo Maior (TDM): Pacientes com TDM frequentemente apresentam retardo no esvaziamento gástrico e prolongamento do tempo de trânsito colônico total.16 A redução endógena de tônus serotoninérgico central espelha-se na periferia.17 Além disso, o estado de hiperativação crônica do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) eleva os níveis circulantes de cortisol, promovendo um estado inflamatório de baixa intensidade e alteração da permeabilidade epitelial que reduz a contratilidade coordenada da musculatura lisa do cólon.18
- Transtornos de Ansiedade (Transtorno de Ansiedade Generalizada - TAG e Transtorno de Pânico): A hiper autonomia simpática característica da ansiedade resulta no desvio do fluxo sanguíneo esplâncnico e na inibição da motilidade propulsiva do cólon distal através da ativação de receptores alfa-adrenérgicos, lentificando o trânsito e propiciando a dessecação excessiva do bolo fecal, manifestando-se clinicamente como constipação.13,19
- Esquizofrenia e Outros Transtornos Psicóticos: A psicopatologia cursa com alta prevalência de megacólon funcional e hipomotilidade importante, agravada por hábitos de vida dominados por sedentarismo, baixa ingesta hídrica e dietas pobres em fibras residuais alimentares.20
MEDICAMENTOS
Para além da predisposição inerente da doença de base, a intervenção psicofarmacológica constitui uma das principais causas exógenas de constipação no paciente psiquiátrico.7 A compreensão minuciosa das classes medicamentosas e de seus perfis neuro farmacológicos permite ao psiquiatra prever, identificar e mitigar esse evento adverso. Nem todas as moléculas apresentam o mesmo risco, conforme evidenciado na Tabela 01.
A gênese da constipação induzida por psicofármacos baseia-se em mecanismos moleculares periféricos claros, causados pela afinidade farmacodinâmica das drogas por receptores localizados nos plexos nervosos, bem como na musculatura lisa intestinal.7,21
A avaliação do risco de constipação deve ser individualizada. Os antipsicóticos são grandes vilões devido ao seu perfil de afinidade múltipla (receptores dopaminérgicos, muscarínicos e serotoninérgicos), com o risco de níveis diferentes dentro de medicações da mesma classe.22 Os antidepressivos, em suas variadas classes, em especial os triciclos são os grandes responsáveis, devido a ação muscarínica, do evento adverso de constipação intestinal.2 Características individuais de cada classe e medicação que devem ser de atenção do especialista estão mais bem detalhadas na tabela 02.
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Tabela 01. Principais classes de medicamentos neuromoduladores e seu risco de induzir constipação intestinal. |
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Classe Farmacológica |
Representantes Principais |
Potencial de Indução de Constipação |
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Antidepressivos Tricíclicos (ADT) |
Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina, Nortriptilina |
Muito Alto (Devido ao potente bloqueio muscarínico M3 periférico)9,23 |
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Antipsicóticos de Segunda Geração (Atípicos) |
Clozapina, Olanzapina, Quetiapina |
Alto a Crítico (Clozapina possui risco de íleo paralítico)7,24 |
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Antipsicóticos de Primeira Geração (Típicos) |
Haloperidol, Clorpromazina |
Moderado a Alto (Proporcional ao efeito anticolinérgico da molécula)7,9 |
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Estabilizadores de Humor e Outros |
Carbonato de Lítio, Topiramato, Pregabalina |
Moderado (Mecanismos multifatoriais e secretórios)7,25 |
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Tabela 02. Medicamentos neuromoduladores, o risco de constipação intestinal e o mecanismo farmacocinético associado ao evento adverso. |
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Classe Terapêutica |
Fármaco(s) |
Risco de Constipação |
Mecanismo Predominante e Observações Clínicas |
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Antipsicóticos2,7
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Clozapina |
Muito Alto |
Potente antagonismo M3 e 5-HT. Causa íleo paralítico grave. Exige profilaxia laxativa compulsória24 |
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Olanzapina |
Muito Alto |
Elevada afinidade antimuscarínica (M1/M3) e anti-histamínica.26 |
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Quetiapina |
Alto |
Bloqueio muscarínico moderado a alto e sedação secundária.26 |
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Clorpromazina / Levomepromazina |
Alto |
Típicos de baixa potência com fortíssima ação anticolinérgica intrínseca.7 |
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Risperidona / Aripiprazol |
Baixo a Moderado |
Baixa afinidade muscarínica; afetam secundariamente receptores serotoninérgicos e adrenérgicos.2,7 |
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Antidepressivos2,3
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Tricíclicos (Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina, Nortriptilina) |
Muito Alto |
Forte ação antagonista muscarínica. Causa atraso severo do trânsito; fator limitante para adesão.2 |
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ISRS: Paroxetina |
Moderado a Alto |
Maior atividade anticolinérgica entre os ISRS. Constipação crônica frequente.2,3 |
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IRSN (Duais): Venlafaxina, Duloxetina |
Moderado |
O aumento do tônus noradrenérgico ativa o sistema simpático, que inibe a peristalse.2 |
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ISRS: Fluoxetina, Sertralina, Escitalopram |
Baixo |
Excesso inicial de 5-HT causa hipermotilidade transitória (diarreia). Longo prazo gera desensibilização.2 |
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Estabilizadores de Humor e Adjuvantes2 |
Anticonvulsivantes (Carbamazepina, Valproato) |
Moderado |
A Carbamazepina possui efeitos anticolinérgicos estruturalmente semelhantes aos antidepressivos tricíclicos.26 |
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Lítio |
Risco Secundário |
Mais associado à diarreia inicialmente. Desidratação (poliúria) e hipotireoidismo induzido podem reverter para constipação secundária grave.25 |
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- TRATAMENTO
O manejo eficaz da constipação induzida por neuromoduladores exige uma abordagem proativa por ser desafiador. Estratégias convencionais, como o aumento isolado de fibras na dieta, frequentemente falham — e podem exacerbar o quadro clínico. O uso de laxantes irritantes ou estimulantes a longo prazo deve ser evitado pelo risco de tolerância, taquifilaxia e indução de cólicas abdominais, fatores que desestruturam a adesão ao tratamento psicofarmacológico.27,28
Nesse cenário, os laxantes osmóticos constituem a primeira linha terapêutica baseada em evidências, destacando-se de forma absoluta o polietilenoglicol (PEG), conhecido também como macrogol, é o agente osmótico de escolha devido a sua eficácia e segurança.28,29 O uso de formulações puras, sem fragrâncias ou flavorizantes artificiais, configura uma vantagem adicional deste princípio ativo para otimizar a tolerabilidade e evitar reações de sensibilidade a longo prazo.
4.1 LAXANTES OSMÓTICOS – POLIETILENOGLICOL / MACROGOL
O PEG é um laxativo não absorvível, capazes de aumentar a pressão osmótica intraluminal e, com isso, agir de forma não irritativa e promover o amolecimento das fezes e aumento da frequência evacuatória. Com isso, ele atua tanto na formação de bolo fecal de mais qualidade e volume, bem como na motilidade gastrointestinal.29,30 Pela sua baixa absorção e fermentação pela microbiota intestinal, tem-se o perfil de segurança favorável. Seu tempo de ação, devido ao seu mecanismo similar a fisiologia intestinal, pode levar entre 24 e 36 horas. Suas maiores vantagens incluem, portanto, eficácia terapêutica associada a segurança a longo prazo com baixo potencial de efeitos colaterais, não desencadeando comumente dor ou cólicas abdominais.33,34,35
A apresentação farmacêutica do PEG é realizada em dois pesos moleculares: o macrogol 3350 e 4000 daltons, com eficácia similar entre eles. Enquanto o macrogol 3350 é usado principalmente para constipação intestinal, desimpactação fecal e preparo de cólon para exames colonoscópicos, o PEG 4000 tem sua apresentação em solução oral na concentração de 0.5 gramas por mililitros, o que auxilia a sua titulação para baixas dosagens, em especial na população pediátrica. A dose a ser utilizada é baseada na formulação da medicação e faixa etária do paciente. As apresentações de uso adulto, em forma de sachê de PEG 3350 com 8.5 gramas sem sabor; 17.5 gramas com sabor limão e PEG 4000 0.5 g/mL em frascos de 250 mL. A Tabela 3 apresenta as sugestões de posologia para o uso do polietilenoglicol no manejo da constipação secundária a desordens psiquiátricas e ao tratamento com medicamentos neuromoduladores. Ao iniciar medicamentos psiquiátricos de alto risco para o desenvolvimento de constipação (ex.: clozapina e antidepressivos triciclos em doses altas), pode-se adotar tratamento laxativo osmótico profilático.
A literatura científica respalda a eficácia dessa medicação há alguns anos, com metanálises comparando PEG e placebo ou PEG e outros laxantes mostrando superioridade do PEG a outros laxativos, incluindo da classe dos osmóticos como a lactulose.34 Um estudo randomizado, duplo cego, placebo controlado, no intuito de avaliar eficácia e segurança do PEG no manejo da constipação crônica mostrou aumento significativo da frequência evacuatória, com evacuações ao mínimo 3 vezes na semana; melhora na consistência das fezes; redução de esforço evacuatório e sensação de plenitude evacuatória; e, leves eventos adversos transitórios. Sua eficácia perdurou por até 52 semanas, sem tolerância medicamentosa, mesmo em idosos.33
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Tabela 3. Sugestão de posologia para a utilização do polietilenoglicol no manejo da constipação secundária a desordens psiquiátricas e medicamentos neuromoduladores. 35,36 |
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Cenário Clínico |
Protocolo de Prescrição (PEG) |
Considerações Clínicas |
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Profilaxia (Prevenção) |
Iniciar a administração com 0.4 g/kg/dia e caso necessário, corrigir a dose até 1.5 g/kg/dia pelo período de 6 meses |
Iniciar concomitantemente ao psicofármaco de alto risco. O início de ação leva de 24 a 48h. Diluir em 250 mL de líquido. |
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Constipação Instalada |
Iniciar a administração com 0.4 g/kg/dia e caso necessário, corrigir a dose até 1.5 g/kg/dia pelo período de 6 meses. |
Titular a dose a cada 2 dias até atingir a consistência fecal ideal (Bristol 4). |
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Impactação Fecal Leve/Moderada |
Iniciar a administração com 1 g/kg/dia e caso necessário, corrigir a dose até 1.5g/kg/dia pelo período de 06dias. |
Terapia de resgate osmótico seguro. Após desimpactação colônica bem-sucedida, retornar à dose basal de 17g/dia. |
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Obs.: A Posologia, de acordo com a bula do medicamento, pode variar conforme idade e peso e deve ser consultada. Diluição recomendada: diluir envelope de 17g em 250 mL de líguido; diluir envelope de 8,5 g em 150 mL de líquido. Legenda: VO, via oral; PEG, polietilenoglicol; g, gramas; Doses conforme Bula PegLax Macrogol 3350 (8.5g e 17g) / Macrogol 4000.Legenda: VO, via oral; PEG, polietilenoglicol; g, gramas; Doses conforme Bula PegLax Macrogol 3350 (8.5g e 17g) / Macrogol 4000 |
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- CONCLUSÃO
A constipação intestinal induzida por psicofármacos e desordens psiquiátricas não deve ser encarada como um preço inevitável a se pagar pelo controle da psicopatologia, mas sim como uma disfunção neuro entérica passível de prevenção e tratamento eficaz. Ao compreender os mecanismos fisiopatológicos e farmacodinâmicos e os impactos sinérgicos da polifarmácia, o profissional adquire a capacidade de intervir de forma eficaz no manejo terapêutico. O PEG consolida-se na literatura científica como o padrão-ouro de escolha frente à sua eficácia clínica robusta, segurança, excelente tolerabilidade. O restabelecimento da função motora intestinal repercute positivamente na adesão ao tratamento psiquiátrico principal e na qualidade de vida global do indivíduo.
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Autoria: Gabriela Piovezani Ramos Zanlorenzi (CRM-PR 38.730) RQE: 29949
Médica especialista em Clínica Médica, Gastroenterologia e Nutrologia Clínica, mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde. Realizou Research Fellowship em Neurogastroenterologia e Motilidade Digestiva na Mayo Clinic (EUA). É membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia (SBMDN), além de professora da disciplina de Gastroenterologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná.