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Tratamento da rinite no controle da asma

O conceito de vias aéreas unificadas é amplamente reconhecido: para controlar a asma de forma eficaz é essencial tratar também a rinite. A maioria dos asmáticos tem rinite concomitante, mas seus sintomas muitas vezes são subvalorizados, já que a asma costuma causar maior impacto na qualidade de vida (QV).1,2

Entretanto, segundo a estratégia da Global Initiative for Asthma (GINA), o objetivo atual é alcançar o controle total da asma, idealmente sem crises. Para isso, é indispensável manter os sintomas das vias aéreas superiores (VAS) bem controlados.3

Diversos estudos demonstram que a associação de azelastina + fluticasona intranasal proporciona maior alívio dos sintomas nasais e extranasais da rinite quando comparada à fluticasona isolada.4,5 Além da melhora dos sintomas, tal associação ainda apresenta como vantagem um início de ação mais rápido, dando uma sensação de alívio em até 30 minutos após a aplicação.5,6

 

O European Forum for Research and Education in Allergy and Airway Diseases (EUFOREA), em publicação europeia de 2025, aponta que a combinação intranasal de azelastina + fluticasona é uma excelente escolha inicial, por proporcionar alívio mais rápido e eficaz dos sintomas de rinite alérgica.7 Ela é particularmente indicada para pacientes com sintomas moderados a graves e em crianças e adolescentes, especialmente quando se deseja um controle rápido e robusto dos sintomas.7 E essa escolha está bem amparada por diretrizes influentes, incluindo a Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma (ARIA).7 Inclusive, em recente publicação, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou o documento sobre rinite alérgica na infância e adolescência, mostrando de forma muito elucidativa os steps de tratamento propostos.8

O caso clínico a seguir elucida a associação de azelastina + fluticasona no tratamento da rinite para o controle da asma.

 

Caso clínico

  • Identificação: estudante, gênero masculino, 8 anos.
  • Queixa principal: falta de ar durante atividades esportivas.
  • História da doença atual: paciente com alergia comprovada aos ácaros, tem asma desde a primeira infância, em profilaxia com corticoide inalatório associado a broncodilatador de longa ação, com boa adesão e técnica inalatória adequada. No último ano, permaneceu sem crises graves, visitas ao pronto-socorro ou uso de corticoide oral. Apresentou espirometria recente com resultado normal. Há 3 meses, passou a ter limitação durante o treino de futebol (5 vezes/semana), necessitando de uso de broncodilatador de curta ação (SABA, do inglês short-acting beta-agonist) em quase todos os treinos. Mantém sintomas nasais persistentes, fazendo uso contínuo de anti-histamínico oral, além do uso regular e correto de corticoide nasal.
  • Exame físico: eutrófico. Na rinoscopia demonstrou palidez e hipertrofia de cornetos e obstrução nasal importante. Ausculta pulmonar limpa. Restante do exame sem alterações.
  • Hipóteses diagnósticas: asma; rinite alérgica.
  • Conduta: manter profilaxia da asma e associar azelastina + fluticasona (1 aplicação em cada narina, 2x/dia), reforçando a técnica correta.
  • Evolução: após 2 semanas, teve melhora significativa dos sintomas nasais. O paciente relatou desempenho satisfatório nos treinos de futebol, sem necessidade do uso de SABA.

 

Discussão do caso clínico e considerações finais: O caso apresentado reforça a relevância do conceito de vias aéreas unificadas, no qual as doenças inflamatórias das VAS, como a rinite alérgica, influenciam diretamente o controle da asma e a QV do paciente. Este caso ilustra a importância da avaliação integrada das vias aéreas e do manejo conjunto da asma e da rinite alérgica para alcançar um bom controle da doença.

 

Referências: 1. Ahmad JG, Marino MJ, Luong AU. Unified airway disease: future directions. Otolaryngol Clin North Am. 2023;56(1):181-95. 2. Miglani A, Lal D,

Divekar RD. Unified airway disease: diagnosis and subtyping. Otolaryngol Clin North Am. 2023;56(1):11-22. 3. Global Initiative for Asthma. Global strategy for asthma management and prevention - updated 2025 [relatório na Internet]. Fontana, USA: Global Initiative for Asthma; 2025 [acesso em 27 ago 2025]. Disponível em: https://ginasthma.org/2025-gina-strategy-report/. 4. Meltzer E, Ratner P, Bachert C, Carr W, Berger W, Canonica GW, et al. Clinically relevant effect of a new intranasal therapy (MP29-02) in allergic rhinitis assessed by responder analysis. Int Arch Allergy Immunol. 2013;161(4):369-77. 5. Carr W, Bernstein J, Lieberman P, Meltzer E, Bachert C, Price D, et al. A novel intranasal therapy of azelastine with fluticasone for the treatment of allergic rhinitis. J Allergy Clin Immunol. 2012;129(5):1282-89.e10. 6. Bousquet J, Meltzer EO, Couroux P, Koltun A, Kopietz F, Munzel U, et al. Onset of action of the fixed combination intranasal azelastine-fluticasone propionate in an allergen exposure chamber. J Allergy Clin Immunol Pract. 2018;6(5):1726-32.e6. 7. Scadding GK, Conti DM, Scheire S, Backer V, Blaiss M, Cardell LO, et al. EUFOREA meeting on defining disease states in allergic rhinitis: towards a unified language in AR. Front Allergy. 2025;5:1531788. 8. Departamento Científico de Alergia; Departamento Científico de Otorrinolaringologia; Grupo de Trabalho em Oftalmologia Pediátrica; Sociedade Brasileira de Pediatria. Rinite alérgica na infância e adolescência [guia prático de atualização na Internet]. Rio de Janeiro: SBP; 2023 [acesso em 27 ago 2025]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/24064h-GPA_ISBN_-_Rinite_Alergica_na_Infancia_e_adl.pdf.

 

alergia e imunologia
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